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Um texto sem título sobre valor

Como profissional nesta área, são várias as vezes que leio desde posts, a blogs e o diabo a sete a falar sobre o valor.


O valor enquanto profissional,

O valor dos serviços que prestam,

Se lhes dão o devido valor,

Se te dás o devido valor

Mas o que é o valor?

Como o medir?


Uns dizem que o valor enquanto profissional vem do quanto estudaste,

Outros de apesar de não teres estudado, todo o trabalho árduo que vem da experiência, faz de ti quem és (palavras ditas geralmente por quem não estudou, mas quer vender “saber”).

Falam de números, sentimentos, da busca de quem somos, para o que nascemos, para o que queremos ser, de até que ponto estás a cobrar o “teu devido valor”.


É fácil perdermos-nos nisto, porque a separação deixa de existir, e tudo passa a ser gerido pela nossa emoção. Afinal somos humanos, certo?

Acontece que esta emoção mal gerida e guiada, leva-nos apenas a sentir em vez de pensar, pesar, e avaliar.

E o que sentimos sobre estes assuntos é manipulado e o foco perdido… O foco para responder às eternas questões tão debatidas, que referi acima


Acredito sinceramente, que o nosso foco devia ser sempre no sentido de o que é uma profissão.

Até que ponto és e estás qualificado para o fazer?

Tens o talento e a estamina para ir mais além, e de dar sempre o teu melhor?

Tens a vontade e resiliência de crescer e evoluir enquanto profissional, mesmo quando as coisas não estão fáceis?…


Diz a velha máxima que para te darem valor, tens de te valorizar a ti mesmo. Mas quando olho em volta, a conversa não muda...

Desde o “só consigo cobrar x, porque o vizinho cobra o mesmo ou mais baixo que x”, a “as pessoas (não os clientes, o que a meu ver está incorrecto - porque sim, lidamos com pessoas, mas essas pessoas são clientes que vêm ter connosco em busca de um serviço), não pagam mais e/ou não dão valor”


Vejo continuamente os profissionais a colocarem-se na posição de pessoas mal-interpretadas e incompreendidas, em vez de adoptarem uma postura de profissionais qualificados que prestam um serviço.


É a cada um de nós que cabe a tarefa de além de aprender de forma continua, ensinar.

Ensinar?… Sim, ensinar!


Mas tal como pescadinha com rabo na boca, vem a pergunta:

Aprendeste?


Sabes os custos inerentes à profissão?

O quanto te custou até agora formares-te? Ou o quanto custou à tua entidade patronal formar-te?

O quanto tu custas à tua entidade patronal apenas por estares lá?…

O quanto custa ter e manter um negócio, seja teu ou de outrem?

Sabes o custo em material, quais as despesas fixas inerentes, a batelada de impostos a pagar?

Sabes que a entidade patronal tem de anualmente pagar segurança social mesmo sobre os recibos verdes?

Só depois de saberes a resposta a estas perguntas (além do óbvio que é o teres de capacitar, estudar e formar), podes pensar em qual é o valor de um profissional, e o valor correcto de uma prestação de serviços.

Pois é aí, e só ai, que finalmente podes ensinar o cliente.

Para que aí, ele entenda.


Quando falamos em prestação de um serviço qualificado, tendemos a medir a coisa pelo tempo, ou o grau de dificuldade que achamos que tem. Não vemos mais além, e na verdade, isso é um pensamento normal de maior parte do comum mortal. Se ninguém lhes explica, como vão saber?

“É só uma manicura, se eu não for, não faz diferença”. Quantas vezes ouvimos isto?

Mas é das só das “apenas manicuras" que muitos vivem.

Se todos pensássemos assim, onde estaria metade da sociedade?

É só:

um depósito no banco, posso fazer na máquina, afinal, para que é preciso um caixa no banco?

É só:

tomar um comprimido que passa, para que necessito eu de farmacêuticos, se entre o médico e a internet, tenho o que preciso e uma máquina para por a receita e levantar o medicamento seria mais do que suficiente

“É só”:

Ele é médico, ganha muito, se não for à consulta não é grave. Mas sabem se por causa no vosso “não ir”, outro perdeu a hipótese de ir? Ou se eram o único paciente do dia, e o médico fez uma série de quilómetros para ir propósito aquela clinica dar consultas, tendo assim prejuízo?

Podíamos seguir por aí em diante em exemplos de “é só”.

Afinal vivemos numa sociedade do “imediato”, em que não queremos esperar, mas queremos que esperem por nós. Em que queremos tudo feito, e não queremos perder tempo. Em que queremos não ter sequer de pensar…

Então pergunto, neste “é só” e “do é para já”, como e quem o vai fazer acontecer?

A resposta?

Pessoas, profissionais qualificados, cujo know-how, lugar, tempo e experiência têm de ser pagos e devidamente respeitados. E aí reside o valor.

Afinal todos queremos receber, mas por vezes esquecemos-nos que para isso, também é preciso pagar.

E vou ficar por aqui, pois este, é um tema que dá pano para mangas.


Bjs! SaL


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